Crónica

Um Cherne de Prestígio

Eis a explicação que faltava.

Finalmente se compreende a futurologia do Cherne.

Finalmente está encontrada a explicação para termos um Cherne como primeiro ministro. É um Cherne de Prestígio. Um Cherne que encontrou o Prestígio. Ou melhor o Prestígio foi ter com o nosso Cherne.

Um navio velho, sem manutenção adequada, e com um carregamento de combustível de baixa qualidade, com quase 3% de enxofre, altamente poluente, chamado Prestige. Dá que pensar... Quem se lembra de nomes destes? Tipo Titanic... Um modo que a natureza tem de reduzir os arrogantes à sua insignificância?

O que é certo é que o Prestige dirigia-se para Norte, tendo já passado pela costa Portuguesa, quando, encontrando-se já na costa Espanhola lançou um pedido de socorro.

O governo Espanhol podia ter respondido ao pedido de socorro de vários modos.

Podia ter levado o Prestige para um dos seus portos, onde certamente teria tido condições para de algum modo recuperar o combustível, e de certeza que teria conseguido controlar muito mais eficazmente o derrame de combustível e a consequente maré-negra. Será que existe alguém com cérebro naquele governo? Agora, em lugar de terem combustível num único local controlável, têm combustível espalhado por toda a costa Norte.

Podia ter levado o Prestige, na rota programada, para o seu porto de destino. O destinatário que se preocupasse com o que encomendou (quem semeia ventos colhe tempestades).

Mas, ao que parece, não era solução do agrado do governo Francês, e eis que trataram de pressionar o governo Espanhol para inverter o rumo do Prestige de volta para a costa Portuguesa.

Mas como Deus escreve direito, mesmo por linhas tortas, a natureza arranjou um modo de o combustível continuar na rota programada, apesar de o Prestige ir em direcção oposta. Ou será que era um combustível inteligente, que reconhece o dono?

E foi assim que o Prestige acabou por afundar na costa Portuguesa. Foi ter com os peixinhos. Melhor: veio ter com o Cherne. Finalmente o nosso Cherne teve o Prestige que merece.

Será que o nosso Cherne gosta deste Prestige? Porque, segundo as aparências, tudo leva a crer que sim. Quem não gostasse, certamente que cortaria relações diplomáticas com Espanha e França, pelo menos até que estes dois países se comprometessem a indemnizar o nosso País por todos os prejuízos que o Prestige possa causar. Ou será que, por os outros nos considerarem como o parente pobre da UE, nós temos de enfiar a carapuça?

Meus senhores, enquanto tivermos este tipo de atitude passiva, os outros vão sempre aproveitar-se disso!

Depois vêm os abutres da oposição, a pensar que vão ganhar alguma coisa em falar de navios de combate à poluição. Que líricos!

Estúpidos são os órgãos da comunicação social que se deixam ir na conversa. Pensem um pouco:

O governo Espanhol tem meios de combate à poluição? O governo Francês tem meios de combate à poluição? Têm? Então, tendo esses meios, porque estão preocupados, e não conseguem evitar a maré-negra?

O governo Português fez muito bem em não gastar dinheiro com meios utópicos, que só servem para "a foto do ministro a cortar a fita"...

Olhem para as preocupações dos governos Espanhol e Francês, que estão mais preocupados com a qualidade do pescado à venda, e em efectuar uma fiscalização eficaz!

Que não venha a acontecer com o nosso pescado aquilo que aconteceu com as nossas vacas!

E como já se nota preocupação do consumidor Espanhol na compra de pescado fresco, o governo Espanhol já faz sentir que a inspecção sanitária está em cima do acontecimento.

O que o consumidor ainda não se lembrou é que, vai ser possível encontrar pescado congelado, com possível contaminação, mesmo passado 1 ano de toda a situação resolvida.

Na falta de "vontade" para provocar uma crise diplomática, é fazer com o pescado Espanhol e Francês aquilo que eles fizeram com as nossas vacas: não entra cá nada!

De certeza que um boicote ao pescado Espanhol iria fazer mossa, principalmente às empresas de congelados dos nuestros hermanos.

Talvez assim aprendam a não nos darem mais "prestígio"...

Fiscalizem, meus senhores, fiscalizem!